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Consomem-se os galhos secos no fogão, dançam as coloridas chamas, crepita a madeira ao sentir, nas suas entranhas, a alucinante mordida do fogo. Ferve a sopa na panela velha de alumínio. O vento se soltou de suas correntes, estourou todos os grilhões e, enlouquecido, arremete contra árvores, paredes, janelas e portas, buscando ansiosamente uma fresta qualquer para entrar e assustar com seu hálito gelado. Chove. Parece que chove. Com certeza está chovendo. A noite se aproxima com passos rápidos, domina a cozinha uma morna atmosfera, enquanto brota da panela o anúncio de que a sopa já está pronta. Sopa quente, pão de ontem, um copo de vinho ordinário e, lentamente, a alegria invade os corpos cansados.
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