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Conto, reconto, somo, divido, multiplico esperanças, escrevo, risco. Olho para as minhas crianças que me olham, esperam, acreditam que posso, que tudo posso. Minha mulher mexe e remexe nas panelas vazias. Subtraio, abato, diminuo, tiro cada vez mais, passo rápido do zero, desespero-me, já estou no negativo. Conto, reconto, conto outra vez, quero esquecer alguma coisa, o aluguel talvez, não posso, não posso esquecer, não posso pular a conta de luz, o que devo na mercearia da esquina, o que devo para meu amigo Rogério, quem sabe... não, não devo. Água, luz, aluguel, gás, armazém, carne, Rogério... desespero-me e as crianças me olham, porque elas também tem prioridades. A soma não fecha, falta... somo, subtraio, estou bem abaixo do zero, como sempre, sobra mês depois do salário, recebi hoje e já estou devendo...
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