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Nos olhos ingênuos do filho, olhos brilhantes de vida e questionamentos, descobriu que estava morto. Ou quase. O menino o olhava como esperando respostas para todas as perguntas e, com certeza, esperava. Ansiava a resolução de todos os problemas, o desenlace feliz de todos os dramas, de todos os dilemas. E ele, pobre humano, não tinha respostas. Mais trágico ainda: não tinha perguntas. Soube, naquele instante crucial, que toda a caminhada, todos os medos, todas as malditas batalhas vencidas ou perdidas, não valiam nada. Por que ele não tinha respostas. Nem perguntas.
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