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A senhora liga o televisor e o marido lê o jornal, o neném chora porque quer ver os desenhos animados, a menina e a mamãe querem ver a novela. O homem fica bravo e grita: o jornal – os minutos de relax – algum palavrão e a novela, finalmente, porque já está quase no fim e Ela descobre que Ele a ama e que tudo era mentira da Outra, perversa, desalmada, mentirosa. O neném deixa cair a última lágrima, resigna-se e pensa que depois de tudo, os comerciais são bons também. Já dormem as crianças e o homem pensa em como serão as coisas com o negócio do dólar e o problema do petróleo. Ela gostaria de ser Ela e que seu homem fosse Ele, aproxima-se mimosa sensual e um beijo, uma caricia insinuante, o desejo fervendo na pele. O marido, incomodado, pensando em dólares e petróleo e no senhor Dominguez, patrão e tirano, rejeita o carinho e murmura qualquer coisa, empurra a mulher e suplica “hoje não”, hoje não, e ela, que retorna da novela, vira-se, inconformada e olha para a parede. Percebe, suspira e se lamenta, pensando que depois de tanto tempo, depois de tantas distancias, solidões, desculpas, mentiras e máscaras...
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